Foto: Giliardi Rafael

Foto: Giliardi Rafael

Não sobrou pedra sobre pedra na política de Jaíba após a nova escalada da Polícia Federal contra a corrupção em prefeituras do Norte de Minas. Praticamente todos os agentes públicos com algum grau de atuação na atual cena política tiveram seus nomes envolvidos no novo e movimentado capítulo na luta contra a corrupção que abalou a cidade na manhã desta terça-feira (3). Os agentes federais cumprem uma série de mandados de prisão na ‘Operação Agosto’, realizada em conjunto com o Ministério Público de Minas Gerais naquele município do extremo Norte de Minas. A ação policial aprofunda a crise política que abala o município desde o mês de agosto, quando a Câmara Municipal instalou comissão processante para investigar o agora ex-prefeito Jimmy Murça (PCdoB).

Segundo comunicado da Polícia Federal, o objetivo da ação é desarticular organização criminosa que supostamente desviava recursos públicos da Prefeitura de Jaíba. , aqui no Norte de Minas, bem como ocultava a origem e propriedade dos bens adquiridos com as verbas desviadas.

Notícias preliminares dão conta de que foram detidos, até agora há pouco, o ex-prefeito do município Sildete Araújo, o Detinho (PMN), foi preso na cidade mineira de Paracatu. O agora ex-prefeito Jimmy Murça – afastado do cargo há duas semanas após responder a processo de investigação na Câmara Municipal -, foi detido em sua casa em Jaíba. Também foi preso e levado para a Superintendência da Polícia Federal em Montes Claros, o vereador Adilson de Freitas. Ao todo, a PF cumpre 43 mandados judiciais, sendo 13 mandados de busca e apreensão, 23 mandados de sequestro de valores, bens móveis e imóveis, quatro mandados de prisão temporária e três de condução coercitiva (quando o acusado é levado para depor na sede da Polícia Federal).

A maratona dos federais e promotores em Jaíba envolve ainda o afastamento cautelar das funções do prefeito Enoch Vinicius Campos de Lima (PDT), que mal acabou de sentar na cadeira: ele foi empossado pela Câmara Municipal no dia 23 de novembro, após o impeachment do ex-prefeito Jimmy Murça. Há ainda medidas cautelares afastamento de um vereador, do secretário de administração e do pregoeiro oficial do município. A Justiça determinou ainda a quebra do sigilo bancário e fiscal dos investigados, bem como a indisponibilidade dos bens das pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

O empresário Silvano Araújo (PTdoB), irmão do ex-prefeito Detinho Araújo, também teve a prisão decretada, mas até agora não teria sido localizado pela Polícia Federal. A quadrilha, formada por empresários, servidores públicos e agentes políticos, fraudava processos licitatórios da Prefeitura de Jaíba destinados à escolha dos prestadores de serviço do transporte escolar, por meio do direcionamento das contratações para empresas ou pessoas ligadas à organização criminosa. Essa acusação, por sinal, foi a principal causa da cassação do agora ex-prefeito Jimmy.

Com a descoberta do esquema criminoso, sucessivas foram as tentativas de cooptação de vereadores do município de Jaíba, com ofertas que chegariam a milhares de reais, a fim de se evitar o processo de cassação do prefeito municipal.

As verbas irregularmente desviadas eram imediatamente aplicadas em bens, móveis e imóveis, cujas propriedades eram ocultadas com participação de outros empresários e “laranjas” ligados aos principais membros da organização criminosa.

Os presos responderão, na medida de suas participações, por crimes contra a administração pública, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, dentre outros. Se condenados, as penas máximas aplicadas aos crimes ultrapassam 30 anos.

No Face, Jimmy diz que não deve nem teme

Antes de ser levado coercitivamente para Montes Claros, o ex-prefeito de Jaíba Jimmy Murça encontrou tempo para postar mensagem na rede social Facebook, qme conta ter recebido ‘a visita’ dos policiais federais em sua residência nas primeiras horas manhã desta terça-feira.

No Facebook, Jimmy contou os agentes federais foram muito corteses e que estavam na ‘busca e apreensão de documentos de empresas’ que ele (Jimmy) alega desconhece.”Não encontraram nada, quero mesmo que investiguem pois nada devo. Tive que acompanhar a Policia Federal até a Montes Claros em meu carro, por eles terem encontrado uma arma registrada em minha casa, com o registro vencido. Não sou a favor de arma, mas há pouco tempo fui ameaçado de morte, e de uma certa forma, foi a maneira de tentar proteger minha família”, registrou Murça com algumas sovadas na língua portuguesa – talvez em razão do ineditismo e gravidade da situação em que se viu envolvido.

Agosto de quem?

O nome da operação ‘Agosto’ deflagrada pela Policia Federal e o Ministério Público de Minas Gerais na manhã desta terça-feira (3) no município de Jaíba é referência ao livro Agosto, do escritor brasileiro Rubem Fonseca, publicado em 1990. Fonseca é conhecido por adotar a violência como o grande tema da suas narrativas. Em ‘Agosto’, ele trata da violência que percorre as ruas brasileiras, numa espécie de guerra civil não declarada entre ricos e pobres. A exploração dos pobres pela classe política, por sinal, é tema recorrente no discurso da Polícia Federal em Montes Claros.

O romance de Rubem Braga caracteriza-se principalmente por se tratar de uma narrativa de cunho policial, de contar com um grande número de personagens que possuem ligações entre si, além do clima de mistério e investigação presente do início ao final da obra. Os trabalhos iniciaram em Agosto/2013 mês que, sabidamente, assola a vida sofrida do sertanejo com o calor intenso e a seca estafante. Agrava-se, no caso concreto, com a corrupção pública que, de modo incessante, ainda teima em persistir no Norte de Minas Gerais, não obstante as inúmeras ações realizadas.
Por: Luis Claudio Guedes
Edição:www.mediosaofrancisco.com

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