São FranciscoA falta de chuvas no Norte de Minas na atual ‘estação das águas’ e o agravamento do assoreamento do leito do Rio São Francisco preocupam os usuários da travessia por meio de balsas em municípios da região que ainda utilizam esse serviço para transpor o rio. Na altura da cidade de São Francisco, o nível do rio está pelo menos cinco metros abaixo do que seria desejável para este mês de março – o que deixa a população temerosa com o risco, não desprezível, de suspensão dos serviços de travessia durante os meses mais críticos do ano.

Nos últimos dias, os concessionários das balsas foram obrigados a lidar com o encalhamento das embarcações em bancos de areia que começaram a surgir no meio do rio. A travessia entre as cidades de São Francisco e Pintópolis, corredor oque dá acesso ao Noroeste mineiro e à região Centro-Oeste, com duração média de 15 minutos, chegou a ser feita em até três horas por conta da dificuldade no trajeto das balsas no leito do rio. As chuvas que caíram na região nos últimos dias não foram suficientes para reduzir o baixo nível das águas do Velho Chico.

O prefeito de São Francisco, Luiz Rocha Neto (PMDB), decretou situação de emergência no município depois que as balsas começaram a encalhar no leito do rio. Rocha está preocupado com os eventuais impactos na economia do município de São Francisco com a iminência de crise na travessia do rio. O recurso de se recorrer à Barragem de Três Marias, que tem sido utilizada nos últimos anos para minimizar a escassez de água no Rio São Francisco, está descartado. Segundo o prefeito, o reservatório conta com apenas 25% da sua capacidade de armazenamento e não teria como aumentar a vazão neste momento – medida que, de resto, seria apenas um paliativo na atual conjuntura. A vazão da barragem, na verdade, será reduzida nos próximos dias para tentar resolver o problema da falta de água.

Nível crítico

O prefeito Luiz Rocha anunciou que vai pedir à Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) para providenciar medidas que possam conter o ritmo de assoreamento do Velho Chico no trajeto das embarcações entre a cidade e a margem oposta. O fato inédito das dificuldades na travessia do Rio, ainda durante o período das chuvas, tem merecido atenção especial dos ribeirinhos que vive ás margens do Rio São Francisco ante à possibilidade cada vez mais real da agonia do rio se intensificar em razão de problemas climáticos, em especial a redução do nível das chuvas.

Pelo menos 1,5 mil pessoas utilizam o serviço diariamente e há um temor de que a travessia se inviabilize a partir do mês de maio, quando começa o período de estiagem na região. A expectativa é que o governo federal autoriza a dragagem para retirada da areia acumulada no leito do rio, o que pode devolver as condições de navegabilidade das balsas na hipótese do nível do rio baixar a níveis críticos.

Por:Luis Claudio Guedes Redação: www.mediosaofrancisco.com

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