Dilma1BRASÍLIA – Em entrevista coletiva no início da tarde desta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff manifestou preferência de que não haja recesso no Congresso Nacional para acelerar o julgamento do pedido do processo de impeachment. Ela fez questão de ressaltar sua confiança no vice-presidente Michel Temer. Numa ação articulada, o governo lançou uma ofensiva para conter o avanço do grupo ligado a Temer, que estaria trabalhando para assumir a Presidência em caso de impedimento da petista. Pouco antes, ela recebeu um manifesto assinado por 30 juristas contrários ao impeachment.

– Confio e sempre confiei. Prefiro ter a posição que sempre tive: ele sempre foi extremamente correto comigo e tem sido assim. Não tem por que desconfiar dele um milímetro – disse Dilma na entrevista.

A presidente afirmou que ou ela ou o presidente do Senado, Renan Calheiros, ou o da Câmara, Eduardo Cunha, farão a convocação para que os parlamentares suspendam o recesso. Ela defende que a crise política agravada com o pedido de impeachment iniciado por Cunha na semana passada seja encerrada o mais rapidamente possível.

– Eu acredito que numa situação de crise como essa política e econômica pela qual o país passa, acho que seria importante que o Congresso fosse convocado. Não podemos nos dar o direito de parar o pais até o dia 2 de fevereiro. Não é correto o país ficar em compasso de espera – disse Dilma.

DEBANDADA DO PMDB

Perguntada sobre a saída do governo do ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, e se isso poderia desencadear um desembarque em massa do PMDB, Dilma não quis responder. Deu uma réplica em tom de brincadeira:

– Nessa casquinha de banana eu não caio, não.

A presidente chegou bem-humorada e sorrindo à entrevista. Ela relatou que recebeu pareceres de cerca de 30 juristas que contestam a argumentação jurídica do pedido de impeachment. Segundo ela, os juristas ponderam, entre outras coisas, que as contas deste ano sequer foram encerradas. Elas também não foram julgadas ainda pelo Congresso. A presidente destacou que o Brasil penou para conquistar a democracia e lembrou que pessoas morreram nessa luta. Ela própria foi militante durante a ditadura militar.

– O Brasil conquistou de forma bastante disputada, lutada e com grande sacrifício de pessoas, inclusive mortes, a democracia. Temos instituições sólidas, temos a vantagem de sermos capazes de conviver democraticamente. Daí a importância da preservação da legalidade – disse.

Depois da entrevista da presidente, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, apresentou o grupo de juristas com os quais se reuniu e que são contra o processo de impeachment nas bases em que foi aceito pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Cardozo disse que o processo é um equívoco com o qual “não podemos concordar”.

POR CATARINA ALENCASTRO E WASHINGTON LUIZ

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