mosquito

BRASÍLIA — O Brasil bateu um recorde negativo em 2015, fechando o ano com 1.649.008 casos prováveis de dengue e 863 mortes em decorrência da doença. Isso significa que o número de pessoas doentes aumentou 180,9% em relação ao ano anterior. Já a quantidade de óbitos subiu 82,5% em relação às 473 mortes ocorridas em 2014. Os números foram divulgados nesta sexta-feira, dia 15, pelo Ministério da Saúde.

O crescimento do número de casos prováveis ocorreu em 22 estados. Houve redução apenas no Acre, Amazonas, Distrito Federal, Piauí e Roraima. Em todo o Brasil, foram 586.955 casos em 2014, e 1.452.489 em 2013.

No ano passado, o estado com maior número de casos foi São Paulo: 733.490, ou 44,5% do total. Isso significa que, de cada 20 casos de dengue no Brasil, nove foram em São Paulo. Em seguida vêm Minas Gerais (189.378) e Goiás (163.117). Proporcionalmente, Goiás foi onde a doença mais se alastrou: 2.500 casos por 100 mil habitantes. O estado de São Paulo também registrou mais da metade das mortes: 454. Em segundo lugar está Goiás: 86 óbitos.

As cidades paulistas também se destacaram negativamente em 2015. Entre os municípios brasileiros com menos de 100 mil habitantes, a maior incidência de dengue foi em Onda Verde (SP): 17.989,9 casos para cada 100 mil pessoas. No grupo de municípios entre 100 mil e 499.999 habitantes, Rio Claro (SP) está no topo da lista, com 10.804,7 ocorrências para cada 100 mil pessoas.

Nas cidades com mais de 500 mil habitantes, Sorocaba (SP) fica em primeiro: 8.815,6 casos para cada 100 mil pessoas. Nos municípios com 1 milhão ou mais de habitantes, Campinas (SP) lidera, com 5.766,2 casos para cada 100 mil pessoas.

No estado do Rio de Janeiro, foram 68.659 casos em 2015, quase nove vezes o registrado no ano anterior, quando 7.664 pessoas pegaram a doença. O número de mortes pulou de dez em 2014 para 25 no ano passado.

O mês com maior incidência em 2015 foi abril, com 229 casos para cada 100 mil brasileiros. A dengue é mais frequente entre dezembro e maio. Em 2015, no entanto, o crescimento do número de casos começou mais cedo, a partir do fim de outubro. Das 27 unidades da federação, 17 tiveram um aumento da incidência em novembro, na comparação com o mês anterior, incluindo os sete mais populosos: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná e Pernambuco.

A dengue tipo 1 foi responsável por 93,8% dos casos em 2015. Em seguida vêm o tipo 4 (5,1%), o tipo 2 (0,7%) e o tipo 3 (0,4%).

PREOCUPAÇÃO COM VÍRUS ZIKA

Uma pessoa pega dengue ao ser picada pelo mosquito Aedes aegypti infectado, que também pode transmitir outras duas doenças: chicungunha e zika. Hoje, o que mais preocupa as autoridades sanitárias brasileiras é o vírus zika, por estar associado à epidemia de microcefalia que atinge principalmente o Nordeste. Trata-se de uma malformação em que os bebês nascem com a cabeça menor que o normal e, em geral, leva ao retardo mental.

Segundo o último boletim do Ministério da Saúde, divulgado na terça-feira, houve, em 2015 e nos nove primeiros dias de 2016, 3.350 casos suspeitos de microcefalia relacionados ao vírus zika. Em todo o ano de 2014, foram 147 casos de microcefalia no Brasil.

Nesta sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que, em 2015, houve 20.661 casos confirmados ou sob investigação de febre chicungunha. O vírus que provoca a doença circula por 84 municípios de 11 estados. Não é possível comparar com o ano anterior, quando houve 3.657 casos, porque as primeiras transmissões dentro do país foram observadas em 2014. Apesar de ser menos letal que a dengue, foram confirmadas duas mortes na Bahia e uma em Sergipe. As vítimas tinham 85, 83 e 75 anos e, segundo o Ministério da Saúde, apresentavam histórico de doenças crônicas.

Também nesta sexta-feira, o ministério anunciou que vai destinar R$ 500 milhões adicionais ao combate ao Aedes aegypiti. Segundo a pasta, a verba vai se somar ao R$ 1,27 bilhão já destinado a todas as ações de vigilância em saúde, que não se restringem ao combate ao mosquito, e aos R$ 600 milhões da Assistência Financeira Complementar da União para os Agentes de Combate às Endemias.

POR ANDRÉ DE SOUZA / O Globo

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