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O ministro-chefe de gabinete da presidente Dilma Rousseff, Jaques Wagner, afirmou na noite desta segunda-feira (11) que a aprovação do parecer favorável ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na comissão especial da Câmara está “dentro das expectativas” do governo. Segundo ele, a presidente recebeu a notícia com “tranquilidade”

A comissão aprovou, na noite desta segunda-feira, por 38 votos a 27, o parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) favorável à abertura do processo de afastamento da presidente. Agora, o resultado da votação na comissão deverá ser lido no plenário da Câmara nesta terça-feira (12) e publicado no “Diário Oficial da Câmara” na manhã de quarta (13). A expectativa é de que a votação no plenário da Câmara comece na próxima sexta-feira (15) e leve três dias, terminando no domingo (17).

“O resultado está dentro das expectativas do governo. Nossa conta interna sempre foi entre 27 e 31 votos. Evidente que a gente gostaria de chegar aos 31, mas 27 estavam na nossa conta, até porque reppresentam 41,5% da comissão”, afirmou o ministro. “Eles podem comemorar o número, mas não dá o resultado que eles queriam. Vamos trabalhar até o dia da votação no plenário para subir a projeção do que foi o resultado na comissão”, completou Jaques.

“A presidente recebeu com tranquilidade [a notícia da aprovação do parecer]. É hora de trabalhar e, a partir de hoje, estamos conversando, agradecendo e parabenizando os 27 herois da democracia”, afirmou.

Michel Temer
Jaques Wagner também dedicou grande parte da entrevista na noite desta segunda para falar sobre o áudio do vice-presidente Michel Temer, no qual o peemedebista fala como se a Câmara já tivesse aprovado o impeachment de Dilma. Para Wagner, o fato é uma “nota triste”, porque “macula a história” de Temer e mostra o vice como “conspirador do golpe”.

Além disso, o ministro afirmou que o vice “não tem bola de cristal” e deveria aguardar o resultado no plenário da Câmara, porque pode ficar “sem saída” caso a Casa rejeite o impeachment – à imprensa, o vice-presidente disse que queria mandar o áudio para um amigo e, por equívoco, enviou a gravação para um grupo de Whatsapp.
Perguntado se Temer deveria renunciar ao cargo, Wagner disse “crer” que sim, para que o peemedebista tenha “o mínimo de coerência”. “Uma vez derrotada a conspiração, ele [deveria] renunciar porque vai ficar um clima absolutamente insustentável”, disse o ministro.

Questionado, então, sobre se a relação de Temer e Dilma ficaria “educada”, como o próprio Wagner havia dito antes, o ministro respondeu: “Não há educação para conspiradores. Eles não têm código de ética. Na minha opinião, não respeita código de ética e de procedimento alguém que, à luz do dia, sem nenhuma reserva, conspira desse jeito. Imagino que ele possa ter feito a declaração [gravada no áudio] vestido de uma faixa presidencial em frente ao espelho”.

‘Sandálias da humildade’
Como fez em outras ocasiões, Wagner voltou a afirmar que impeachment não é “remédio” para “impopularidade” – segundo pesquisa Ibope divulgada recentemente, o governo Dilma tem aprovação de 10% dos eleitores, enquanto 69% rejeitam a atual administração.

Para o ministro, concluído o processo na Câmara e, em a Casa rejeitando o afastamento de Dilma, o governo precisará calçar as “sandálias da humildade”, porque “não cabe raiva e rancor” neste momento, mas, sim, o “compromisso” com a população e com a retomada do crescimento econômico.

Fonte: Filipe Matoso, Do G1, em Brasília

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