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Candidato derrotado no segundo turno de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, o deputado estadual Zé Raimundo (PT) sente que cumpriu sua missão durante a campanha, mas admite que a rejeição nacional ao seu partido contribuiu para o resultado negativo na cidade. Com a eleição de Herzem Gusmão (PMDB), com 57,58% dos votos válidos, o PT perdeu o reduto que comandava há 20 anos – inclusive com um mandato do próprio Zé Raimundo. “No quadro nacional, há uma desqualificação da política, a população perdeu a fé, embora compareça e vote. Há um clima geral de desconfiança. Não podemos negar que o envolvimento de nomes de nosso partido nessas questões nacionais e a superexposição que a mídia deu somente ao nosso partido contribuiu para o resultado”, avaliou. “Nós somos éticos e respeitados na região. Mas de fato há uma rejeição ao partido que acabou pesando no final. Não houve qualquer tipo de denúncia ou desconfiança ética ou moral de nossa administração. Resumindo, eu diria que de fato o quadro nacional pesou, a crise econômica, o imaginário que se criou em torno do partido… Embora todos os partidos tenham cometido erros, o PT acabou pagando essa culpa”, lamentou. O presidente estadual da sigla, Everaldo Anunciação, concordou. “Há uma série de elementos. Foram 20 anos de mesmo projeto, 20 anos consecutivos leva a um desgaste natural. Além também desses ataques intensos na campanha, com ataques baixos sendo colocados o tempo todo pelo candidato do PMDB, levando mentiras, tentando distorcer informações. Esse conjunto de elementos nos levou à derrota”, explicou. “Sem dúvidas [a conjuntura nacional] influenciou. Há um grande ataque ao PT em nível nacional e em grandes centros, o que acaba influenciando no processo eleitoral”, completou. Zé Raimundo também atribuiu a derrota a outra questão: o seu tempo de campanha limitado, quando comparado ao de Gusmão. Segundo ele, a definição da coligação apenas no dia 18 de junho “chegou um pouco tarde”, já que Herzem foi candidato “por oito anos” e tinha mais espaço na mídia nos últimos anos. “Eu fui prefeito em 2008, depois atuei como professor. Como deputado estadual, eu não tive acesso aos veículos de comunicação. O outro tinha duas horas diárias de exposição na rádio, foram outras aparições. Foi uma luta desigual que se estabeleceu em termo de exposição da mídia, ele estava o tempo todo fazendo campanha enquanto eu nem era candidato”, defendeu. Mesmo assim, Zé Raimundo garante que vai continuar a defender o município. “Não estou me queixando. Ganha a democracia, o povo é soberano e eu respeito. Minha sensação não é de derrota. O povo respeitou nossas propostas, andamos pela cidade e sempre fomos recebidos com carinho, mesmo aqueles que não votaram na gente, reconheciam nosso papel na cidade. Eu não sentia essa carga de rejeição em mim. Em relação ao partido sim, é muito forte”, reforçou. “Eu vou continuar a desejar que a cidade continue a se desenvolver, meu mandato vai estar à disposição”, concluiu.



Por: Bruno Luiz/Rebeca Menezes

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