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Quatro em cada 10 brasileiros estão inadimplentes e terão dificuldades de acesso ao crédito para as compras de Natal. Segundo o indicador do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgado ontem, 58,5 milhões de pessoas fecharam o último mês de novembro com CPF negativado, o que representa 39% da população brasileira.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o número de inadimplentes cresceu 0,69%. Em termos absolutos, significa um milhão a mais de endividados, um grupo que enfrenta dificuldades para realizar compras a prazo, fazer empréstimos, financiamentos ou contrair qualquer tipo de crédito. rtemagicc_dividasnatal-jpg
De acordo com a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o índice de inadimplência está estabilizado e existem dois efeitos que estão influenciando esse comportamento. O primeiro deles diz respeito à situação do consumidor, que está com menos dinheiro e vem enfrentando os altos índices de desemprego e inflação, o que dificulta o pagamento da dívida. “Por outro lado, a gente viu desde o começo da crise que as pessoas pegaram menos empréstimos também”, diz.

“O número de inadimplentes continua alto porque a dificuldade de pagar dívidas continua muito presente, mas está estável nesse número de quase 59 milhões de pessoas. Parou de piorar a situação”, avalia Marcela, que reforça que a situação só irá melhorar de fato quando o desemprego diminuir e a renda da população aumentar.

Apesar do aumento no total de consumidores inadimplentes, houve uma redução em relação ao número de dívidas no comparativo com o mesmo período do ano passado de 3,54%.

Mais frequentes
Ainda segundo o levantamento divulgado ontem pelo SPC Brasil/CNDL, as dívidas bancárias – que representam atrasos no cartão de crédito, cheque especial, financiamentos, empréstimos e seguros – são as de maior incidência entre os inadimplentes, concentrando 48,24% de todos os débitos em atraso no país.

“Principalmente no caso do cartão de crédito e do cheque especial, a inadimplência é algo muito frequente por conta das altas taxas de juros e da facilidade de obtenção de crédito, o que faz com que as pessoas não pensem muito antes de gastar”, explica Marcela Kawauti, do SPC.

Em seguida, na lista das contas em atraso, aparece o Comércio, com 20,31% desse total, e o setor de Comunicação (13,35%). Por fim, o setor de Água e Luz concentra 7,96% do total de pendências dos inadimplentes.

No comparativo com 2015, quase todas as categorias tiveram um número menor de dívidas em novembro, com exceção de Água e Luz, que cresceu 3,81% no período.

Quando analisado por faixa etária, é entre os 30 e 39 anos que se observa a maior frequência de consumidores negativados. No mês de novembro, quase metade da população nesta faixa etária (49,59%) tinha o nome inscrito em alguma lista de devedores, perfazendo um total de 16,9 milhões no país.

“É nessa fase da vida que as pessoas possuem responsabilidades mais caras, constituem família, adquirem bens de valor mais alto, fatores que aumentam as chances de ficar inadimplentes”, explica.

Entre os jovens com idade entre 25 e 29 anos, 47,12% estão negativados, assim como os consumidores com idade entre 40 e 49 anos (46,32% inadimplentes). Na população idosa, considerando-se a faixa etária entre 65 a 84 anos, a proporção é de 29,44%, o que representa 4,6 milhões de pessoas.

Por Juliana Montanha (juliana.montanha@redebahia.com.br)

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